Alzheimer: O que é?

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade da pessoa. De início, o paciente começa a perder sua memória mais recente. Pode até lembrar com precisão acontecimentos de anos atrás, mas esquecer que acabou de realizar uma refeição. Com a evolução do quadro, o Alzheimer causa grande impacto no cotidiano da pessoa e afeta a capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e linguagem. A pessoa fica cada vez mais dependente da ajuda dos outros, até mesmo para rotinas básicas, como a higiene pessoal e a alimentação.

O Alzheimer é a causa mais comum de demência – um grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. Na doença de Alzheimer, as células cerebrais degeneram e morrem, causando um declínio constante na memória e na função mental. A demência varia em gravidade desde o estágio mais brando, quando está apenas começando a afetar o funcionamento de uma pessoa, até o estágio mais grave, quando a pessoa deve depender completamente dos outros para atividades básicas da vida diária. (2,3)

Alzheimer no Brasil

No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas têm a doença de Alzheimer, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). Em todo o mundo, 15 milhões de pessoas têm Alzheimer, doença incurável acompanhada de graves transtornos às vítimas. Nos Estados Unidos, é a quarta causa de morte de idosos entre 75 e 80 anos. Perde apenas para infarto, derrame e câncer. (2)

Curiosidades

O nome oficial do Alzheimer refere-se ao médico Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença, em 1906. Ele estudou e publicou o caso da sua paciente Auguste Deter, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, desorientação, distúrbio de linguagem (com dificuldade para compreender e se expressar), tornando-se incapaz de cuidar de si. Após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como características da doença. (3)

Estágios do Alzheimer

A Doença de Alzheimer é caracterizada pela piora progressiva dos sintomas. Entretanto, muitos pacientes podem apresentar períodos de maior estabilidade. A evolução dos sintomas da Doença de Alzheimer pode ser dividida em três fases: (4)

Estágio inicial: O estágio inicial raramente é percebido. Parentes e amigos (e, às vezes, os profissionais) veem isso como “velhice”, apenas uma fase normal do processo do envelhecimento. Como o começo da doença é gradual, é difícil ter certeza exatamente de quando a doença começa. A pessoa pode:

  • Ter problemas com a propriedade da fala (problemas de linguagem)
  • Ter perda significativa de memória – particularmente das coisas que acabam de acontecer
  • Não saber a hora ou o dia da semana
  • Ficar perdida em locais familiares
  • Ter dificuldade na tomada de decisões
  • Ficar inativa ou desmotivada
  • Apresentar mudança de humor, depressão ou ansiedade
  • Reagir com raiva incomum ou agressivamente em determinadas ocasiões
  • Apresentar perda de interesse por hobbies e outras atividades.

Estágio intermediário: Como a doença progride, as limitações ficam mais claras e mais graves. A pessoa com demência tem dificuldade com a vida no dia a dia e:

  • Pode ficar muito desmemoriada, especialmente com eventos recentes e nomes das pessoas
  • Pode não gerenciar mais viver sozinha, sem problemas
  • É incapaz de cozinhar, limpar ou fazer compras
  • Pode ficar extremamente dependente de um membro familiar e dos profissionais da saúde e cuidados.
  • Necessita de ajuda para a higiene pessoal, isto é, lavar-se e vestir-se
  • A dificuldade com a fala avança
  • Apresenta problemas como perder-se e de ordem de comportamento, tais como repetição de perguntas, gritar, agarrar-se e distúrbios de sono
  • Perde-se tanto em casa como fora de casa
  • Pode ter alucinações (vendo ou ouvindo coisas que não existem).

Estágio avançado: O estágio avançado é o mais próximo da total dependência e da inatividade. Distúrbios de memória são muito sérios e o lado físico da doença torna-se mais óbvio. A pessoa pode:

  • Ter dificuldades para comer
  • Ficar incapacitada para comunicar-se
  • Não reconhecer parentes, amigos e objetos familiares
  • Ter dificuldade de entender o que acontece ao seu redor
  • É incapaz de encontrar o seu caminho de volta para a casa
  • Ter dificuldade para caminhar
  • Ter dificuldade na deglutição
  • Ter incontinência urinária e fecal
  • Manifestar comportamento inapropriado em público
  • Ficar confinada a uma cadeira de rodas ou cama.

Tipos

O Alzheimer pode ser classificado em dois tipos: (1)

Início precoce

A doença de Alzheimer não é apenas uma doença da velhice. Muitas pessoas com início precoce estão em seus 40 e 50 anos. A doença de Alzheimer de início mais precoce (também conhecida como início precoce) afeta pessoas com menos de 65 anos. Até 5% dos mais de 5 milhões de americanos com Alzheimer apresentam um início mais precoce.

Início tardio

O início tardio é caracterizado quando os sintomas se manifestam após os 65 anos, sendo os casos mais frequentes.

Causas

Pesquisadores acreditam que, para a maioria das pessoas, a doença de Alzheimer é causada por uma combinação de fatores genéticos, de estilo de vida e ambientais que afetam o cérebro ao longo do tempo. A causa do Alzheimer é desconhecida, mas seus efeitos deixam marcas fortes no paciente. Normalmente, atinge a população de idade mais avançada, embora se registrem casos em gente jovem. Os cientistas já conseguiram identificar um componente genético do problema, só que estão longe de uma solução. (2,3)

Embora as causas da doença de Alzheimer ainda não sejam completamente compreendidas, seu efeito sobre o cérebro é claro. A doença de Alzheimer danifica e mata as células cerebrais. Um cérebro afetado pela doença de Alzheimer tem muito menos células e muito menos conexões entre as células sobreviventes do que um cérebro saudável. À medida que mais células cerebrais morrem, a doença de Alzheimer leva a um encolhimento significativo do cérebro. Quando os médicos examinam o tecido cerebral de Alzheimer sob o microscópio, eles vêem dois tipos de anormalidades que são consideradas características da doença:

  • Placas: esses aglomerados de uma proteína chamada beta-amilóide podem danificar e destruir as células cerebrais de várias maneiras, inclusive interferindo na comunicação célula a célula. Embora a causa final da morte de células cerebrais na doença de Alzheimer não seja conhecida, a coleção de beta-amilóide do lado de fora das células cerebrais é um dos principais suspeitos.
  • Emaranhados: as células cerebrais dependem de um sistema interno de suporte e transporte para transportar nutrientes e outros materiais essenciais ao longo de suas longas extensões. Este sistema requer a estrutura normal e o funcionamento de uma proteína chamada tau.

Fatores de risco

Como dito anteriormente, as causas do  alzheimer  ainda não estão comprovadas. Contudo, cientistas acreditam que alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como: (2,3)

Idade

O aumento da idade é o maior fator de risco conhecido para a doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer não faz parte do envelhecimento normal, mas seu risco aumenta muito depois que você atinge a idade de 65 anos. A taxa de demência dobra a cada década após os 60 anos. Pessoas com raras alterações genéticas ligadas ao início precoce da doença de Alzheimer começam a sentir sintomas já na faixa dos 30 anos.

Histórico familiar e genética

O risco de desenvolver Alzheimer parece ser um pouco maior se um parente de primeiro grau – seu pai ou irmão – tem a doença. Os cientistas identificaram mudanças raras (mutações) em três genes que virtualmente garantem que uma pessoa que os herda desenvolverá a doença de Alzheimer. Mas essas mutações são responsáveis ??por menos de 5% da doença de Alzheimer.

A maioria dos mecanismos genéticos do Alzheimer entre as famílias permanece amplamente inexplicada. O mais forte gene do risco que os pesquisadores descobriram até agora é a apolipoproteína e4 (APoE4), embora nem todo mundo com esse gene desenvolva a doença. Outros genes de risco foram identificados, mas não confirmados de forma conclusiva.

Comprometimento cognitivo leve

As pessoas com comprometimento cognitivo leve têm problemas de memória ou outros sintomas de declínio cognitivo que são piores do que o esperado para a idade, mas não são graves o suficiente para serem diagnosticados como demência. Aqueles com comprometimento cognitivo leve têm um risco aumentado – mas não uma certeza – de demência posterior em desenvolvimento. Tomar medidas para desenvolver um estilo de vida saudável e estratégias para compensar a perda de memória nesta fase pode ajudar a retardar ou impedir a progressão para demência.

Estilo de vida e saúde do coração

Não há nenhum fator de estilo de vida que foi definitivamente mostrado para reduzir o risco de doença de Alzheimer.

No entanto, algumas evidências sugerem que os mesmos fatores que o colocam em risco de doença cardíaca também podem aumentar as chances de você desenvolver a doença de Alzheimer. Exemplos incluem:

  • Falta de exercício
  • Obesidade
  • Fumar ou exposição ao fumo passivo
  • Pressão alta
  • Colesterol alto no sangue
  • Diabetes tipo 2 mal controlado
  • Uma dieta sem frutas e vegetais

Esses fatores de risco também estão ligados à demência vascular, um tipo de demência causada por vasos sanguíneos danificados no cérebro.

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